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mulheres que gostam de pescar

Histórias de mulheres que gostam de pescar 2 de agosto de 2016

Em estados como Amazonas e Mato Grosso, ver uma mulher de chapéu, à beira do rio, empunhando uma vara de pescar, pode ser uma cena cotidiana.

Mas a pescaria ainda é muito vista como uma atividade masculina. Esse cenário tem mudado aos poucos, como conta Cleufa Maria Taves, que acompanha de perto o universo pesqueiro há 60 anos.

“Pesco desde criança, meu pai, fã da natureza, me ensinou. Hoje tem mais mulher pescando do que antigamente. No pesqueiro que frequento, é mais ou menos uma mulher para cada três homens”, conta ela, que hoje tem 70 anos e continua a fisgar tilápias em tanques pela região de Itatiba (SP), onde mora.

Mas as histórias dessa pescadora incluem tucunarés, dourados e pintados “imensos”, pescados nos rios Araguaia e Paraguai. “Uma vez matei aula, peguei uma varinha, massinha de farinha de mandioca e fui pescar num córrego perto de casa”, conta ela, que mais tarde casou com apreciador da prática e hoje tem no filho o companheiro de pescarias.

Ela defende que uma mulher pode pescar tão bem quanto um homem. “A força física não faz a menor diferença. E nem a técnica, que é fácil. O que é preciso ter é uma sensibilidade, intuição e muita paciência.” Soam características bem femininas, né? “Uma vez peguei tantos robalos que um homem se aproximou e perguntou se eu conseguia enxergar o peixe dentro da água”, lembra ela.

Cleufa conta que além de pescar, limpa, corta em filés, cozinha e come os pescados que tira da água. “E ofereço jantares para os amigos com os peixes que pesco”.

Sua dica para as meninas que querem começar a pescar é pesquisar muito e tentar ir, nas primeiras vezes, com alguém experiente. Ou seja, nada diferente do que um menino também deve fazer para se iniciar no mundo das varas, linhas e anzóis.

Pescadora consciente

Foi também pelas mãos do pai e do avô que Luciele Velluto começou na pesca. “Com 7, 8 anos, pescava lambari em rios e córregos com vara de mão, lisa”, lembra ela, que tem 33 anos.

Depois da infância, se desinteressou, mas ao casar com um pescador amador, a paixão voltou. Quando ela, jornalista, e ele, biólogo, decidiram empreender, resolveram abrir um negócio voltado para pesca. Hoje são proprietários de uma loja na Vila Carrão, em São Paulo, a Namazu, que vende equipamento para a pesca amadora esportiva e organiza viagens para a Baixada Santista e para a região do Rio Paraná.

“Pratico e incentivo o pesque e solte. Não preciso encher o isopor. Um peixe é suficiente para o dia. Para mim, o que me desafia é capturar, fisgar o peixe”, explica a pescadora.

Ela conta que trabalha a conscientização do pescador no respeito às leis, aos tamanhos de peixe permitidos para a pesca e também o respeito às espécies em extinção.

Conviver diariamente com pescadores, faz Luciele sentir na pele como é ser minoria. “Existe preconceito, as mulheres são poucas. As pessoas estranham quando eu falo que pesco e poucos pescadores escutam o que eu falo. O que percebo é que a mulher ainda é inibida, não entra nesse hobby de forma independente, é sempre acompanhando alguém da família”.

Por outro lado, a presença de mulheres em pesqueiros, por exemplo, ajudam a deixar o ambiente mais familiar. “Com mulheres frequentando, os pesqueiros precisam se adequar, com banheiros mais limpos, restaurantes, espaço para crianças. A mulher melhora a estrutura da pescaria.

 

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